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Domingo, 07 de Junho 2026
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IBGE alerta para quadro preocupante na saúde mental de adolescentes

42,9% dos alunos responderam que se sentem “irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa”

PvaiNews
Por PvaiNews
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IBGE alerta para quadro preocupante na saúde mental de adolescentes
Pesquisa ouviu quase 120 mil estudantes de escolas públicas e privadas Foto: Tânia Rêgo/ABr
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BRASÍLIA - Três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmaram que se sentem tristes sempre ou na maioria das vezes, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 
Uma proporção semelhante também revelou que já teve vontade de se machucar de propósito.  
O IBGE entrevistou 118.099 adolescentes que frequentavam 4.167 escolas públicas e privadas de todo o Brasil em 2024, e a amostra é considerada representativa do universo de estudantes do país.
O quadro preocupante sobre a saúde mental dessa população inclui ainda 42,9% dos alunos que responderam que se sentem “irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa” e 18,5% que pensam sempre, ou na maioria das vezes, que “a vida não vale a pena ser vivida”.

Onde buscar ajuda

Adolescentes e seus responsáveis ou quaisquer pessoas com pensamentos e sentimentos de querer acabar com a própria vida devem buscar acolhimento em sua rede de apoio, como familiares, amigos, educadores e também em serviços de saúde.
De acordo com o Ministério da Saúde, é muito importante conversar com alguém de confiança e não hesitar em pedir ajuda, inclusive para buscar serviços de saúde.
Serviços de saúde que podem ser procurados para atendimento: 
Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde);
UPA 24H, SAMU 192, Pronto Socorro; Hospitais;
Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita).

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Desamparo

Apesar da gravidade dos números, menos da metade dos alunos frequentava uma escola que oferecia algum tipo de suporte psicológico, proporção que sobe para 58,2% na rede privada e cai para 45,8% na pública.
A presença de profissional de saúde mental no quadro de funcionários da escola era ainda mais rara, sendo disponível a apenas 34,1% dos estudantes. 
A pesquisa também traz informações sobre a relação desses adolescentes com suas famílias e comunidades, e 26,1% dos estudantes disseram sentir constantemente que “ninguém se preocupa” com eles. 
Pouco mais de um terço dos alunos também achava que os pais ou responsáveis não entendiam seus problemas e preocupações e 20% contaram que foram agredidos fisicamente pelo pai, mãe ou responsável, pelo menos uma vez, nos 12 meses anteriores à pesquisa.

Saúde mental e gênero

Em todos os indicadores, os resultados entre as meninas são mais alarmantes do que entre os meninos.

Fonte: PeNSe/IBGE

Resposta

Meninas

Meninos

"Sentem-se tristes sempre ou na maiorias das vezes"

41%

16,7%

"Já tiveram vontade de se machucar de propósito"

43,4%

20,5%

"Se sentem irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa"

58,1%

27,6%

"Pensam sempre, ou na maioria das vezes, que a vida não vale a pena ser vivida"

25%

12%

"Acham que os pais ou responsáveis não entendem suas preocupações"

39,7%

33,5%

"Acreditam que ninguém se preocupa com eles"

33%

19%

Autoagressões

A partir da amostra, o IBGE calculou que cerca de 100 mil estudantes brasileiros tiveram alguma lesão autoprovocada nos 12 meses anteriores à pesquisa, o que equivale a 4,7% de todos que sofreram algum acidente ou lesão no período analisado. 
Entre eles, todos os indicadores são consideravelmente mais altos:
73% se sentem tristes de forma constante;
67,6% ficam irritados ou nervosos por qualquer razão;
62% não veem sentido na vida; 
69,2% já sofreram bullying. 
As meninas também apresentam maior proporção de lesões autoprovocadas. Entre aquelas que sofreram algum ferimento, 6,8% se machucaram de propósito, contra 3% entre os meninos.  
“A criação de políticas públicas que contemplem essas diferenças entre os sexos é importante e urgente, para que as mulheres do país possam manter seu bem-estar e sua capacidade inegável de contribuição para a economia, para a sociedade e para o Estado brasileiro”, defendem os pesquisadores. 

Imagem corporal

O nível de satisfação com a própria imagem corporal caiu para todos os estudantes desde a última edição da pesquisa, em 2019, de 66,5% para 58%. A situação é pior entre as alunas. 
Mais de um terço delas se disse insatisfeita com a própria aparência, contra menos de um quinto dos meninos.
Além disso, apesar de 21% das alunas se considerarem gordas ou muito gordas, mais de 31% revelaram que estavam tentando perder peso. Ambas as proporções foram maiores entre o gênero feminino.

FONTE/CRÉDITOS: Tâmara Freire, da Agência Brasil

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